Os pêlos da minha alma. Pinçados um a um, a dor rápida e recorrente. O meu guarda-chuvas preto florido e inútil pra me proteger da chuva que cai. Meu guarda-chuvas decorativo.

Não é fácil olhar pra dentro. Eu olho vesgo e embaçado e sinto náuseas porque não há foco; minhas manchas se movem quando tento entendê-las. Eu queria agarrar uma por uma e sugar toda a minha pobre existência, mas eu não sinto mais nada. Meu olhar está contaminado por fumaça.

O catador de lixo que vejo da janela não está triste. Sua sujeira se mistura à do lixo, mas ele sabe quem é e por que está ali. Não me olha de maneira pedinte ou carente, não quer saber de nada além dos pedaços que fedem. E eu quero sempre saber de tudo. Pena, pena de mim.

Os pombos e velhinhos dos outros prédios, os cachorros que lambem o chão e até os pneus dos carros sabem mais do que eu.

Os vendedores estão mais felizes, o sol abafa o tempo e seca minhas lágrimas, as jóias das madames brilham tanto que evito olhá-las e os loucos estão mais sãos que as pessoas ordinárias. Os loucos sentem tudo, sentem a poeira que encosta em seus dedos, sentem com toda intensidade o vento entrando levemente em seus ouvidos. Eles também sabem mais do que eu.

O mosquito recém-atingido por um canto do cinzeiro. Um peso muito maior do que qualquer inseto, mesmo os mais superiores, poderia suportar. Um mosquito como qualquer outro, que seguia seu cotidiano de mosquito, suas atribuições de mosquito e que de repente foi alcançado pelo destino, um destino maior que ele. Ele não tem noção da própria existência.

Nem eu.

Por enquanto sou só um bloco de concreto oco, não sei nem sinto nada.

Mas o dia em que me bastar serei tão segura e sábia como um braço que desperta dormente e orgulhoso do todo.

***

Eu tenho fotos comprometedoras olhando sedutoramente pra mim, lambendo os lábios e dizendo “vem cá, nos possua, nos jogue no seu blog, que excitante, hum, todo mundo olhando”. Mas vou preservar a privacidade dos envolvidos. Usando meu super efeito tosco de quem não sabe usar photoshop. Tchã-tchã.



P.S: Claro, a grande vantagem de ser a pessoa que leva a câmera é que ninguém tira fotos suas (e conseqüentemente não publica! rá!)





 Escrito por Dolores Haze às 23h13
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As fases da minha vida sempre seguem uma linha, uma coerência. Tô fudida e mal paga e, como acompanhamento do prato principal, tô sem emprego, sem paixão, sem rumo e sem anticorpos. É, sem anticorpos, o que significa que eu posso morrer a qualquer momento, vítima de uma pneumonia, uma tuberculose, uma amigdalite. Não, não tô com AIDS. Mas acho que meus pensamentos e transtornos emocionais estão matando um a um meus glóbulos brancos, aquela coisa meio Kill Bill de que já falei. Essa fase não tem nada a ver comigo. Nunca fui vulnerável a pequenas doenças, nunca deixei de estar obcecada, ou envolvida, ou apaixonada por alguém, nunca achei que estivesse perdida em alguns assuntos profissionais - parecia tudo muito bem planejado, fui alfabetizada mais cedo que a maioria, tive as melhores notas no ginásio, entrei no vestibular com 17 anos, me formei com 21, e de repente meu presente parece uma névoa espessa. Esse ano foi o ano de uma outra Juliana, que não acho que seja uma faceta pior, na realidade, mas que tá me confundindo um pouco. É muita liberdade pra minha vida. Engraçado que outro dia estava doida pra escrever alguma coisa, um poema, ou uma prosa poética, e não tinha assunto, mas instintivamente comecei com o verso "Eu não sei ser livre". E achei um impulso muito sincero. O texto continuou e eu coloco ele aqui. Nem tudo é tão sincero, não há texto que seja totalmente dissimulado ou totalmente honesto. Quando você quer fingir, a verdade salta de debaixo do tapete, trazendo o tapete junto, inclusive, e fode tudo. Quando você só quer dizer a verdade crua, você precisa de uma fantasia pra enfeitar o tom cinza da realidade. É nessa linha meio a meio que foi meu texto. Não é pra ser tão sério. Ficou dramático mas eu tava bem bonachona (?!) no dia.

eu não sei ser livre
nem esperar o clímax
nem o minuto certo
nem ter dignidade
não sou boa
nem má
nem porra nenhuma
que mereça explicação
não sei ritmar poesia
nem costurar nem gratinar
nem gozar de olhos abertos
nem afinar
nem terminar
(começar menos ainda)
não sei ser humilde
não sei ser coerente

e quando alguém tenta me ensinar a viver
eu saio e deixo a porta aberta
eu deixo a luz acesa
eu saio tão majestosa
eu saio dizendo o quanto sou digna
(e sem que ninguém veja
comprimo as unhas contra os punhos fechados)

eu não sei prender a lágrima
não sei esconder as olheiras
mas sei fingir tudo
finjo até que não finjo
finjo que fingir não é fugir
finjo que sou genuína

e quando alguém me toca
finjo que só eu queimo
enquanto atiro fogo contra a alma de todos

I always find someone to bruise and leave behind
e sempre procuro alguém que me queira bem
quando o que preciso é de força
não complacência
quando o que preciso é de ácido sulfúrico
não de pétala de rosa
quando o que preciso é de castigo
não de elogio

eu não sei o que é a verdade
eu não sei nada.

***

E aproveitando o momento simbologia... Ando ouvindo muito Vow, do Garbage, nos últimos dias. Tipo de letra que a gente sabe que combina mto com a gente. Em consequencia, a gente sempre escuta a música e fica arrebatado quando aquilo combina com o atual momento. Pois bem. Meu atual momento não tem nada a ver com Vow, até porque não existe YOU, mas eu espero fazendo figa o momento eu que eu vá escutar Vow cinco vezes por hora, pensando em alguém, me despedaçando por alguém. Pois é. Se alguém tiver a receita, pode me mandar, inclusive ensinando como derreter em banho-maria, porque nunca sei se é em fogo alto ou baixo. Adiós.


Vow

I can't use what I can't abuse
And I can't stop when it comes to you

You burned me out but I'm back at your door
Like Joan of Arc coming back for more

I nearly died
I nearly died
I nearly died

I came to cut you up
I came to knock you down
I came around to tear your little world apart
I came to shut you up
I came to drag you down
I came around to tear your little world apart
And break your soul apart

Ah, you burn and burn to get under my skin
You've gone too far now, I won't give in
You crucify me but I'm back in your bed
Like Jesus Christ coming back from the dead

I nearly died
I nearly died
I nearly died

I came to knock you up
I came to cut you down
I came around to tear your little world apart
I came to rip you up
I came to shut you down
I came around to tear your little world apart
And break your soul apart

I nearly died
I nearly died
I nearly died

I came to cut you up
I came to knock you down
I came around to tear your little world apart
I came to shut you up
I came to suck you down
I came around to tear your little world apart

Tear your little world apart
Tear your little world apart
And break your soul apart

I can't stop when it comes to you
I can't stop when it comes to you
When it comes to you...


 Escrito por Dolores Haze às 16h47
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Hoje começa a temporada de fome. Já estou contando a quantidade de grãos de milho que acompanham as três colheradas de arroz junto com o frango grelhado sem graça e as duas toneladas de legumes. Eu estou em dieta radical. Meus sonhos não sabem mais o que é sexo, porque agora a grande dominadora do meu inconsciente é a fome. Freud, quando disse que a libido norteia o comportamento humano, não devia ter visto uma mulher verdadeiramente empenhada numa dieta. Aí o lance é comida. Comida de todas as formas. Comer, sexo, comida, de fato, tudo tem lá sua relação. Espero que não sonhe que estou excitando uma batata frita ou lambendo as camadas de uma lasanha.

Lasanha? Caralho santo de Jesus amado. Vai pro dicionário de palavras proibidas do período.

To muito blogueira ultimamente. Não sei o que é isso, mas não pode ser boa coisa. Não sei o q me deu, consegui praticamente terminar um conto sem odiar tudo e já tive uma idéia ótima pra uma crônica. Tem algo de muito estranho acontecendo.

...

E eu prefiro aprender a flertar com mais competência. Isso é fato. Eu não tenho talento nenhum. Tem toda uma estratégia de guerra envolvendo olhares, e eu faço tudo errado. Eu fixo o olhar na hora em que tenho q disfarçar, me distraio com qualquer copo de bebida na minha frente e esqueço de olhar, enfim, sou o caos.

...

Eu sou alguém que começa a esconder coca-cola em festa. Eu acho que virei uma contraventora.

...

Música boa essa “nova” do Muse, né? Ta, o vocal vai sempre me incomodar muito, eu sempre me sinto ouvindo uma música de metal cafona quando ele começa a se esgoelar liricamente. Mas tem coisas que a gente gosta sem saber por que mesmo.

...

Eu sou TÃO patética. E tem gente que ainda acha cool irresponsabilidade. Semana passada, desenvolvi uma daquelas amigdalites assassinas, que me levam lá pra cima dos 39 graus e me fazem correr pro hospital. Bem, peguei segunda, comecei a tomar o antibiótico na terça, quinta eu já saí, sexta eu enchi a cara, tomei absinto, traguei alguma coisa fumacenta acesa, sábado me comportei, fiquei em casa, domingo bebi o Martini da geladeira e, resumo, o antibiótico durou dois dias. Ou seja? Os microbinhos voltaram nesta terça, e dessa vez mais resistentes, eu quase morri, parei ontem às 5 no hospital, o médico com cara de “tem jeito não, vamos ter q sacrificar”, e eu achando que ele ia ter q furar não sei o que pra tirar o abcesso de não sei onde, mas no fim saí viva. E agora vou tomar religiosamente meu antibiótico matança. Pena que sou uma pessoa que não consegue sair sem beber, então meu fim de semana vai ser caseiro. (Aliás, resumo do ano. So far: Três cirurgias: uma, mais grandiosa, a de retirada de vesícula; duas de retirada de siso (os quatro), duas amigdalites bizarras. Fora os meses de crise de vesícula tratadas como gastrite. Ta. Eu sei que não chego aos 30.)

...

É isso. Vou parar de escrever antes que desenvolva epilepsia. E como esse fim de semana vai ser um fracasso por causa da minha convalescência, pelo menos uma foto que lembre festinhas queridas do coração. Não tentem me achar. Adiós.




 Escrito por Dolores Haze às 01h57
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Only the one that hurts you can make you feel better
Only the one that inflicts pain can take it away


Então tá. Quem ouve isso não precisa ler mais nada, nenhuma teoria, sobre sexo. Escutem mais Erotica da Madonna que faz bem no sábado à noite fracassado. Leiam menos. Pratiquem mais.

Sexo? Eu citei sexo? Aham.

E por acaso agora tô ouvindo Milk, do Garbage. I'm waiting for you... Mas não, baby, I'm not waiting for you anymore.

...

Ah, festival de cinema do Rio quase acabando. Pressão psicológica preciso-ver-tal-filme acaba também. Chega das disputas de autoridade nas poltronas das salas de cinema! Chega de querer impor seu braço no encosto !! Chega de ter que aturar o constrangimento dos aplausos estúpidos depois dos filmes (criem logo a comunidade "Eu não aplaudo" no Orkut). Basta!

Mas peraí... Gael García Bernal, quem te viu em Tu mamá también e quem te vê agora em La mala educación, hein. Mas é claro que não vou falar do conteúdo do filme, de quanto Almodovar bomba, de isso que leva àquilo e das reflexões que ... Não. Porque o lance agora é o sensorial. Sexo, meu povo. Superfície, pra usar um termo comum (com o qual eu particularmente não concordo, porque sexo... superficial?). Sexo, o Gael quase tirando a sunga, mantendo ela ali naquela maldita linha e ah, não, nada. Sexo, Gael, de travesti, fazendo O QUE PODE com seu amado.

...

Primeiro grande download desde a aquisição do meu novo HD: clipe de I just don't know what to do with myself, do White Stripes. Kate Moss fazendo um pseudo-strip na penumbra. Tá tão difícil ser simples e ser sexy, né? Então. Baixem, tentem ver na MTV, não sosseguem até ver esse clipe.

Oh, céus, sexo de novo!


...

Goran Visnjic em Spartacus? Goran Visnjic e Seu Tórax! (tá, coitado, esses trajes são constrangedores e homem forte não é muito minha praia, mas o Goran... Bem, o Goran pode tudo)
Goran Visnjic usando cinto preto no último episódio da mais recente temporada de ER? Opa, então, minha C.O (celebridade obsessão) usa um cinto preto? Como ele ousa? Que tipo de pressão erótica é essa? Não basta ele ser minha C.O, e ainda usa um cinto preto? Podia ser marrom, mas um cinto preto?? Oh, não. Lá vou eu sonhar de novo.

Porque cinto preto é covardia. Pior do que fazer a barba na minha frente.



...

Chega de sexo. Meus hormônios cansaram. Vamos pensar em qualquer coisa brochante. Ah, claro! Esperando três horas pra madrugada acabar e eu ir pra Teresópolis pra votar! Teresópolis, urna, domingo. Descansem, hormônios.


 Escrito por Dolores Haze às 04h04
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Aproveitando que ainda não completei 24 horas do texto terminado. Assim ainda consigo gostar dele. Amanhã ele vai acordar com cara de clichê mal lavado. Paciência, pessoas sem auto-estima bombante são assim mesmo.

Eu tentei de tudo pra ser menos eu. Eu tentei tanto, cuidadosamente, delicadamente, metodicamente, como tentam os gatos atrair passarinhos pras suas bocas ávidas, como tentam os psicopatas se livrar do sangue das vítimas, como tentam o padres expiar a culpa dos orgasmos sentidos em sonhos perturbados, como tenta a dona-de-casa, minuto a minuto, remover a mesma poeira incômoda do mesmo canto da mesma sala asséptica. Eu tentei juntar as pequenas coisinhas dentro de mim e remendar, costurar, colar até que virassem uma só coisa homogênea, uma só coisa em que pudesse mergulhar e me sentir protegida, boiando depois nas águas tranqüilas do meu passado. Mas aí vieram todas as paixões mutiladas, os gritos abafados, os sonhos estrangulados, e todos eles me lamberam a nuca e sussurraram em meu ouvido – todos eles me masturbaram à noite e me deram tantos motivos pra desejar a incompletude. Eu tentei de tudo, mas acabei me lambuzando com o açúcar babado pelos meus fantasmas.

Sartre olha pra mim da estante.

Meu livre-arbítrio tão afogado pela minha memória.

Mas minha língua ainda tem tantos privilégios.

Meu coração tantos vácuos.

Minha mente tantas incertezas.

Eu tentei de tudo, mas minha mão ainda consegue tocar o impossível, minhas palavras  ainda são tão dissimuladas. E meu deus ainda encarna nos que me beijam. Dos que me tocam. Dos que me amam. Meu deus ainda derrete tanto dentro de mim.

Meu deus, Meu Deus.

Eu apenas descobri como me render.

Eu apenas quero sentir qualquer coisa boa, ou má.

Eles todos me disseram: é só mais uma obsessão.

Só mais uma mente que te seduz, só mais um olhar e personalidade que você vai seviciar, que você vai prostituir, até se cansar e vomitar de novo, e de novo acumular na sua pilha de memórias afetivas. Só mais alguns músculos que vão te comprimir contra a parede, que você vai desfiar com os dentes, só. Só.

Só. No fim, sempre só. No fim, as redundâncias, os estados terminais, o juízo final. No fim, meu coração é um folha ressequida pelo sol constante, a água congelando depois de ferver, no fim só o fim fechando os botões e me vendo sumir por uma fresta. Eu e mais ninguém, mais nada. No fim.

 

 



 Escrito por Dolores Haze às 01h25
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Do profundo ao raso em menos de 50 linhas

Existe aquele momento, a pré-paixão. Você sabe, e dá graças a Deus, que não tá gostando de ninguém seriamente, que não vai morrer se aquilo não der certo, talvez nem chore, talvez não suspire o dia todo pensando na pessoa. Mas sabe também que, se houver um deslize - seu ou da pessoa - se acontecer qualquer bobagenzinha, qualquer frase ou constatação, se houver determinado beijo ou determinado encontro, se os dois se virem num dia único, mágico, em que os dois estão procurando a mesma coisa, o mesmo sentimento e a mesma troca de calores, bem, se qualquer dessas coisas acontecer, você vai cair numa paixão incontrolável, e vai continuar caindo em queda livre, sentindo um frio na barriga maior do que aquele que você sente quando salta de pára-quedas. Então você tá na pré-paixão, ou seja, você caminha sobre a corda bamba, tropeça aqui, ganha segurança ali, mas sabe que a qualquer hora pode cair de vez. E você sabe o que acontece quando se cai.

Aí, na fase pré-paixão, existe todo um blablabla dos seus amigos, que te incentivam a correr atrás, lute pelo que quer, todos aqueles clichês lançados a cada três segundos. Mas você finge que entende, eles querem seu bem. Existe todo um marketing do "se jogue, se lance, se exponha, se abra, seja honesto e transparente, dê a cara a tapa". Mas o que acontece quando você expõe a carne viva? O que acontece quando você sabe que alguém pode jogar vinagre sobre suas feridas? Eu, por muito tempo, na minha adolescência-adulta, me preservei e me contive, planejei as frases e me escondi de paixões que podiam ter me tomado tudo. De anos pra cá, eu adulta-adolescente, o extremo-oposto, não consegui mais me preservar. Confirmei o ditado do quem nunca comeu melado, quando come se lambuza.

Mas agora é bom parar um pouco. Dessa vez, parei de me expor. É só o tempinho de passar protetor solar, tomar uma água de coco e tirar um cochilo. Quem sabe eu volte pra exposição, ou não. Quanto ele vai me pagar? Porque, como já dizia o Hole: You want a part of me... Well, I`m not selling cheap

***

Deixa eu só tirar o cílio que tá em cima da letra bê.

***

Meu Deus, Friends acabou mesmo, eu ainda não me conformei. Achei o último capítulo meio sem sal, resolveram a questão Rachel e Ross muito nas coxas, mas não importa. Era o episódio derradeiro, a despedida, e eu lá envergonhada chorando ao lado da minha mãe.

Ah, e o último episódio da quarta temporada de Gilmore Girls, oh pai amado! Oh, o Luke beijando a Lorelai, eu que nunca dei nada nele, mas ele a segurando pela barriga enquanto a beijava, oh ceus, oh todo-poderoso. Eu já voltei a fita 300 vezes pra ver a mesma cena. Viva mesmo a comunicação de massa e a utopia coletiva. E os beijos dados em meio a discussões, que .... que.... esquece.

***

Ah, sim, as fotos do início do post são do beijo da Lorelai e do Luke. É, é sim, fui eu que tirei a foto. Não, eu posso garantir que não sou doente. E sim, a carteira de identidade já tá à mão pra provar que eu não tenho mais 16 anos.

***

Meu primeiro post com 22 anos!!! Vivaz (leia-se vivas)!



 Escrito por Dolores Haze às 15h42
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Então, eu, a histérica e enlouquecida fã de Cazuza, fui ver O tempo não pára essa semana. Tentei ser fria e lembrar que aquilo era uma ficção, nao um documentário, fiz todos os esforços possíveis e imagináveis pra não alagar o cinema, mas não deu. Não deu porque o Barão cinematográfico tocou até Down em mim (“Eu não sei o meu corpo abriga nessas noites quentes de verão / E nem me importa, que mil raios partam qualquer sentido vago de razão / Eu ando tão down...”). Não deu porque o Cazuza da tela cantou também O mundo é um moinho, do Cartola, e eu lembrava da versão real, com ele, já no fim da vida, cantando com a voz fraquinha e em tom intimista, os versos "Ainda é cedo, amor / Mal começaste a conhecer a vida / Já anuncias a hora da partida (...) Preste atenção, o mundo é um moinho, vai triturar teus sonhos tão mesquinhos". E não deu, principalmente, porque em cada cena eu lembrava do livro em que parte da trama foi baseada, o Só as mães são felizes, biografia escrita pela Lucinha Araújo, mãe do Cazuza. Lembrei de como aquelas páginas mudaram minha vida, minha concepção de mundo, arte e gente, aos 16 anos. De algumas vezes que eu tive que sair da aula de Biologia pro banheiro, porque sabe como é ter olhos cheios de lágrima no colégio, você tem que se esconder em algum lugar.

O grande problemas de mitos da indústria cultural como o Cazuza é que boa parte dos que escutam dizem que é foda pelo simples fato do cara ser idolatrado por meio mundo. Aí a pessoa só sabe cantar Pro dia nascer feliz, Exagerado e mais meia dúzia de hits e já se diz fã da obra e persona artística. E Cazuza é muito mais rico do que a imagem de rebelde e atormentado que passa. Outra parte do público, enorme, é a que se faz de cool e gosta de dizer que detesta Cazuza praticamente pelo mesmo motivo - ele ser adorado por todos - mas de maneira invertida. São pessoas que vivem combatendo o senso comum, e como Cazuza é um clichê, ele deve ser repudiado também.

Mas existe uma parte menor, mas ativa, e modéstia a parte é nela que tô incluída, que entende melhor o que significa a obra do Cazuza, sua persona, suas atitudes, seu valor. Sabe, principalmente, que o valor dele tá além de qualquer movimento musical, pouco importa se ele gravou rock no começo, depois pendeu pra MPB. Uma parte que também não se importa em ficar idolatrando/repudiando o cara porque ele era auto-destrutivo. No fim, pra quem consome/cultua a obra de arte, o que importa é como a relação do artista com o mundo contribui pra sua obra. Se há uma visão otimista ou se há a dor e a angústia, como nas obras expressionistas, o que vale de fato é o talento do artista em criar obras que nos mostrem um outro lado da vida, um lado oculto, subterrâneo, que, se não fosse pelo intermédio da arte, estaria inacessível aos olhos banais.

(uma música um pouco mais desconhecida, e na minha opinião, a música mais realmente cazuza de todas)

Só as mães são felizes

Você nunca varou a Duvivier às cinco?

Nem levou um susto, saindo do Val Improviso?

Era quase meio-dia, no lado escuro da vida

Nunca viu Lou Reed walking on the wild side?

Nem Melodia transvirado rezando pelo Estácio?

Nunca viu Allen Ginsberg pagando michê no Alaska?

Nem Rimbaud pelas tantas, negociando escravas brancas?

Você nunca ouviu falar em maldição?

Nunca viu um milagre?

Nunca chorou sozinha num banheiro sujo?

Nem nunca quis ver a face de Deus?

Já frequentei grandes festas

Nos endereços mais quentes

Tomei champagne e cicuta

Com comentários inteligentes

Mais tristes que de uma puta no Barbarella às 15 pras 7

Reparou como os velhos vão perdendo a esperança

Com seus bichinhos de estimação e plantas?

Já viveram tudo e sabem que a vida é bela

Reparou na inocência cruel das criancinhas

Com seus comentários desconcertantes?

Adivinham tudo e sabem que a vida é bela

Você nunca sonhou em ser currada por animais?

Nem transou com cadáveres?

Nunca traiu teu melhor amigo?

Nem quis comer a tua mãe?

Só as mães são felizes

E foi sozinha num banheiro não tão sujo - na verdade, o banheiro do cinema - onde eu chorei, antes mesmo das luzes acenderem depois do filme. Cazuza, só pra quem toma o sol de meio-dia do lado escuro da vida. Não o difamem, não o chamem de gênio, mito ou coisa parecida. Afinal, ninguém mais humanemente humano do que ele, que se orgulhava tanto da intensidade com que amava, sofria e produzia.



 Escrito por Dolores Haze às 01h42
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teste

 Escrito por Dolores Haze às 18h46
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Como sair do banho, se mirar no espelho e reconhecer alguns traços, dois olhos, uma boca, quem sabe olheiras e espinhas, no meio de um grande fantasma feito de vapor e abstração. O que eu costumava ser refletindo o que eu sou, por mais que o tempo e as pessoas e as emoções e os planos e as idéias fossem mudando, por mais que o sangue que circula dentro de mim fosse varrendo, dia após dia, mês após mês, ano após ano, sentimentos já coagulados e calcificados. Mas meu reflexo ainda tá ali, me jogando na cara o tanto de eu que ainda existe por aí.

Ir pra minha cidade natal sozinha, atrás de cinco dias que você sabe que vão ser de pura reflexão e contemplação - leia-se tédio - é mais ou menos isso, encontrar vestígios de mim mesma em tudo quanto é canto. Na rua principal, nos canais da parabólica, nos discos empoeirados, nas trezentas blusas de lã, no galo que canta de manhã (e também às duas, porque os animais também podem ser workaholic).

Olhar o vinil do Ray Charles, logo depois de saber de sua morte, sozinha, num silêncio comovente. "Pai, por que ele usa óculos o tempo todo?". Lembrar da dancinha patética que eu fazia ao som de Hit the road Jack, achar estranho o corinho de I can`t stop loving you – eu quando criança achava tão velhão, parecia aqueles cantorios de igreja de vó - mas ao mesmo tempo gostar tanto, tanto, tanto. E aí o filho da puta vai e morre, e depois você lembra que Preta Gil ainda respira por aí. Como o mundo é injusto.

Lembrar que teve uma época em que não havia TV a cabo na minha vida, nem rock`n`roll, nem internet, nem madrugadas de bebida, nem amigos excêntricos. Um armário rabiscado de giz, "Milton eu te amo", 500 ursos sujos e 200 bonecas mofadas, a parede azul, os vários cds de trilhas de novelas empilhados. Revistas Capricho no armário. Numa seção chamada "qual o signo dele?", o "escorpião" sublinhado (e até agora não consigo lembrar quem é a criatura). Uma fase shoptime da minha vida, em que minha mãe quase enlouqueceu porque era obrigada a ver o Mauro Jasmin até na hora do Jornal Nacional. Cinco horas de conversa com a melhor amiga, no gênero "Ai, teve um dia em que ele bem chorou quando o Ciro Bottini tava vendendo um cd, porque tocou aquela música You`re so beautiful, sabe? Ai, Bebel, foi tão lindo..."

E nada, nada sai da minha cabeça. Apesar das transformações, e apesar de estar cada vez mais longe da minha origem (aliás, você percebe que se afasta dela quando, na sua cidade natal, as lojas surgem e vão à falência, e você só sabe anos depois). Nada pode ser apagado ou esquecido.

***

Mas o melhor do feriado foi que o técnico foi consertar a parabólica pifada lá da casa de Teresópolis, e incluiu o canal "Tv Diário", do Ceará, no nosso riquíssimo leque de opções. Todo mundo já ouviu falar do programa Alegria, alegria, da Rede TV, que já virou cool de tão trash que é. Mas os fãs do Alegria, alegria se sentiriam humilhados se tivessem a TV Diário. Pra começar, existe um programa de variedades chamado "João Inácio Show", que no domingo apresentou o incrível cantor Mardônio. Outro programa bom é o "Vicente Nery e as princesinhas do forró", um plágio do programa do Netinho na Record (ou seja, a cópia mal feita do que já é mal feito). Eles têm até um Jorge Kajuru por lá. Uma daquelas figuras do jornalismo esportivo que adoram bordôes e polêmica. O jargão do cara? "Sapeca aí, curió da montanha!!". Eu e minha mãe rimos como duas vacas (?), a ponto de ter que trocar de canal pra não termos uma síncope e retomarmos o fôlego.

As montanhas da Serra encobertas pela neblina

Uau, o sol de Teresópolis é roxo!

Um gato que a gente sempre rouba da vizinha (tá, dá vontade de apertar até virar farofa, eu sei)

A paisagem num dia sem neblina



 Escrito por Dolores Haze às 01h43
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Alô, blog, existe um blog por aqui?

Existe. O que não existe é uma blogueira, mas o blog ainda tá aqui. Tinham me dito que quem gosta do troço Orkut acaba deixando de lado o blog. Eu não acreditei, blog é tão diferente, mas na verdade faz todo sentido. Você se expressa no Orkut e pode deixar sua página assim, meio de lado, mofando num canto qualquer.

E. estou. telegráfica. hoje. mas. foda-se.

Então, vamos à edição dos fatos. Nesse tempo toooooooooooooooodo, eu:

1)

Show da Tati quebra-barraco. Ah, sim, eu me rendi totalmente à musa cool do momento. Aliás, quero fazer uma matéria com ela, ela que dá de dez a zero em muito roqueirinho nouveau hype por aí que acha que com suas guitarras sujas e seu rock garageiro a la 60`s é rebelde e outsider. Outsider é ela, aliás, ela é o out do out do out do out. Negra, gorda, favelada, cantando putarias muito mais bizarras do que tudo que já se ouviu na vida.

E, well, numa das friday nights da vida ela fez uma participação numa boite nova de Copa, a Fosfobox, numa noite electro. Um saco, um horror, um purgante a noite toda, tirando o show dela, claro, que foi super divertido. Onde mais vocë pode ouvir alguém cantando "Abre as pernas, mete a língua", seguido de um "Jesuuuuuuuuuuuus"?

Mas teve a fila. Alô dono do Fosfobox, vamo ajeitar a organização porque ficar horas numa fila chorando de dor no pé sem poder chegar em casa não dá. Nops.

Meu amigo e O all star rosa bombante

Pessoas se amontoam pra ver a musa

2)

- Oi, Wander, eu tô cobrindo o evento, posso fazer umas perguntas pra você?

- Oba! Você quer me cobrir? Rá-rá-rá

Ah, Loud! com Wander Wildner e Jupiter Maçã. Sim, lá fui eu de repórter da Mood, e a matéria na íntegra tá aqui, ó. E muito feliz, tio Wander descobriu a reportagem e botou link pra ela lá no site dele. Bem, Jupiter eu acho bem chatinho, apesar de admitir que existe uma proposta e qualidade ali, mas Wander Wildner, uau, não tem como não ser bom. E o CD novo dele tem até Candy, do Iggy Pop. A versão dele tá fodíssima, mais irada, mais forte, uma pegada incrível.

3)

Sábado último, festinha de uma amiga, frituras, cerveja, depois Casa da Matriz, mais cerveja, beliscadas em uísque e caipivodka. Só lembro que dancei Toxic (sim, a música da Britney!) duas vezes. Beba e dance essa música e você quase tira a roupa. Sem brincadeira. Como o Tito disse num fórum do Orkut, mais especificamente na comunidade Paradiso:

Toxic é a mais pedida do baile. só os indies ranhetas, pentelhos de uma figa, é que implicam com a pobrezinha da britney.

(o mais legal de sair com câmera digital quando você enche a cara é que depois você vê fotos que você não lembra de ter tirado! tá bom que o flash tá um pouquinho excessivo, só um pouco, mas eu sou a do meio)

4)

Ontem adoraria ter ido a um show que rolou no Florença Roque Clube, que juntou os musos do Nabuco on the Roxy, Autoramas e mais uma penca de bandas, mas passei o dia todo numa ressaca assassina, com dor de cabeça até quando apoiava as mãos no vaso pra vomitar, me arrastando pela casa como uma lombriga desidratada, tapando os olhos com a calça do pijama cada vez que me movia dois centímetros na cama, duas olheiras que chegavam no queixo, o cabelo um terço repartido, um terço preso, um terço ajeitado num topete medonho. Mas passou, passou.

***

Vou ali pegar a quinta temporada de Friends e ter outra overdose. Volto na quarta-feira de cinzas.Quem tiver Orkut e quiser ser meu amigo por lá, estou aqui. Mas se você tiver um perfil mais ou menos eu não aceito não (mentira, mentira, ainda não aprendi a dizer não)



 Escrito por Dolores Haze às 20h01
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Programa Cidade-alerta, dia de semana qualquer.

A "matéria" é sobre uma confusão dentro de um ônibus. Um cara fica puto com o motorista, não lembro por que, e resolve atear fogo no corpo do sujeito. Os passageiros se revoltam e tentam linchar o bandido, que resolve se jogar da janela. O problema é que ele tava num viaduto e o ônibus tava muito colado numa mureta. A criatura caiu daquela altura bizarra em cima de um barraco, furou o telhado e simplesmente caiu na cozinha.

Aí o repórter resolve entrevistar a moradora, em busca de detalhes mínimos.

- O que o homem disse quando caiu aqui na cozinha da senhora?

- Ah, ele não disse nada, não. Ele só gemeu....

E eu ri o resto da noite toda e dei graças a Deus que ainda existem programas assim.



 Escrito por Dolores Haze às 02h57
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Me arrumo, sainha de bolinha, meia-calça preta, sapato de boneca, blusinha preta de gola alta.

Mãe, me faz aquele cabelo preso liiiiiindo que só você sabe fazer??

E lá sento eu, depois de ter molhado o cabelo, ela prende, 500 mil grampos aqui, presilhas acolá, um penteadinho meio retrô.

Batom, sombra rosa.

Arrumo a bolsa, apanho o martini na geladeira e o presente.

Sim, hoje é o dia da festa de aniversário de um dos meus amigos mais divertidos. Antes de sair de casa, por desencargo de consciência, ligo pra ele. Só pra saber o número do prédio, vai que eu esqueci como chega.

- Alô?

- Oi, Zuzuuuuuuuuuu.

- Me diz o número do teu prédio...

Três segundos de silêncio

- Você sabe que a festa é amanhã, né?

- ÃH??????????????? VOCÊ TÁ DE SACANAGEM!!!!!!!!

- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA, NÃO!!!!!!!!!!!

(e risos escandosos de no mínimo 3 pessoas foram ouvidos ao fundo)

Me digam que essa semana vai passar. Chega de surpresas.

 Escrito por Dolores Haze às 23h39
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Eis que minha mãe volta à neurose. Observa bebês na rua e começa "Minha filha, quando vc vai me dar um neto? Oh, e um genro maravilhoso, quando, quando, quando??". Isso porque tenho 21 anos. Quero ver se eu chegar aos 30 solteira e sem rebentos. Agora ela já resolveu me empurrar o dono da pet shop aqui de baixo. Pior: o cara se empolgou e agora fica enchendo o saco. Eu mereço.

***

Eu mereço II. Ontem foi o dia mais bizarro dos últimos.. é.. 346 dias. Diarinho virtual sucks, mas meu dia merece ser contado. Fui lá, toda menininha sociável, na inauguraçao do Espaço Manifesto em Botafogo.

1) No caminho, desço do ônibus, mas ao tentar atravessar a rua, sou obrigada a encostar no capô do táxi, preso no engarrafamento, já que o carro tá colado ao ônibus. E eis que enfio o dedo num catarrão gigante. Até onde vão meus conhecimentos, catarrões estão no chão, nas calçadas, nos canteirinhos. Mas claro, como minha mão pousou em cima do táxi, ele teria que estar lá. Rá, não era qualquer mão.

2) Enfim, depois de lavar a mão novecentas vezes e esfregar até alcool, graças a minha querida amiga do coraçao, chego ao evento. Estou lá, perto do balcão - claro - refletindo seriamente sobre o preço das bebidas - claro - quando minha amiga, desesperadamente, me diz que determinado ser está na porta. Resumindo: determinado ser = um desafeto na minha vida afetiva, um mocinho muito canalha que me encheu o coraçãozinho de ódio e rancor há um tempo, e que me obrigou a mandar e-mails furiosos dizendo coisas do tipo "vc é um merda, nao te quero nem como amigo!!!" ou "me delete do seu icq, apague meu tel, e quando me vir por aí, finja que nao viu porque nao vou falar com vc!!". Desafeto mora em outra cidade, amigos. E desafeto, numa terça à noite, estava no mesmo lugar que eu, num barzinho perdido em Botafogo. E ele resolve falar comigo. E eu faço cara blasé, solto um oi cortante e viro a cara. E passo o resto da noite falando mal dele, relembrando o quanto ele é um filho da puta.

3) Ah, sim, agora O fato. Achava que essas coisas só aconteciam em seriados americanos cômicos. Bem, vai ver só acontecem mesmo, eu que estou muito influenciada pela fase Friends da minha vida. Só sei que lá fomos, as 3 amigas, ao banheiro, unidas como são todas as amigas quando vão ao... banheiro. Tentei abrir a porta, e achei ela meio travada. Pensei "ah, mais uma dessas portas vagabundas que custam a abrir!!". E então tasco o pé na porta, pra fazer uma LEVE pressão e ver se ela desemperra. É então que simplesmente ARROMBO a porta. E sim, havia uma mulher lá dentro, que me olhou com uma expressão que misturava raiva e pânico. Eu nunca fui tão boazinha na minha vida e pedi tantas desculpas (ãh?? a ju, boazinha e pedindo desculpa pra alguém?? onde, onde?????). Ah, e mais: Desafeto saía do banheiro masculino, em frente, no mesmo instante. Pensando bem, até foi bom, ele já percebe a força do meu chute. Espero que ele tenha feito associaç~es como "Juliana - mágoa - chute - meu saco". Porque pé na bunda eu já dei, quem sabe escolho outro local.

***

Tá, eu adoro homens que são mais quietos, discretos, que não saem dando em cima. É meu lado homenzinho selvagem a caça de seres difíceis. Mas tudo tem um limite. Daqui a pouco eu canso.



 Escrito por Dolores Haze às 03h55
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Eu só quero saber por que, ali onde estava meu selinho do Kafka, agora está uma mulher pagando boquete num cara. Tsc tsc. Observem até que eu tire. Porque isso aqui é um blog de respeito!!!!!!!!!! (aham)

 Escrito por Dolores Haze às 18h48
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Postei aqui sobre a inauguração do Espaço Manifesto, que é hoje à noite, e espero que os milhões de cariocas fãs desse site estejam lá pra prestigiar, que movam suas ancas e tentem pelo menos aplaudir a iniciativa de incentivar a produção cultural independente.

Estou naquela fase anti-blog, extrema como sempre, porque pra mim o meio-termo é algum número que arrancaram da minha contagem infinita de algarismos. Ou eu entro na NET e visito 500 blogs, comento todos e esqueço até de acessar e-mail, ou simplesmente não atualizo nem leio nem o meu. Ahãm, cancerianos instáveis.

Aproveito pra perguntar se alguém sabe em qual temporada de Friends a Monica e o Chandler se apaixonam, porque tô também numa fase Friends, vi a segunda temporada inteira em pouco mais de 24 horas. E amanhã ainda vou alugar mais, queria saber qual o raio da temporada. Nesse último, suspirei e até chorei vendo as idas e vindas do Ross com a Rachel. Patético, patético, patético. Começo a me preocupar, porque virou uma espécie de droga, e agora quero de ver de novo o início do romance do Chandler com a Monica.

Aproveitando a falta de assunto, então... Um diálogo que eu transcrevi de uma linda cena do Ross com a Rachel, que já está até no meu profile do Orkut. Suspirem, ou me achem ridícula, whatever.

Rachel:

Maybe it doesn`t have to be THIS tough. Maybe you were on the right track with that whole "spontaneus" thing. I mean, women really like that...

Ross:

Really?

Rachel:

- Yeah, I mean... If it were me, I`d want to... I don`t know, catch me off guard, with a really... good kiss. Really sort of soft at first... And then maybe brush the hair away from my face... And then look far into my eyes... in a way that lets me know something... amazing is about to happen. And then, I don`t know, then you`d pull me really close to you so that... so that I`d be pressed up right against you... And it would get kind of... sweaty... and blurry... and soon is happening...



 Escrito por Dolores Haze às 02h07
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